Os caminhos já traçados nos conduz somente até onde os outros foram
—Acho que você também deveria dividir esse momento com a gente, Vinicius. —Sugeriu Carol. —Você não apareceu aqui por acaso. —Ajoelhei atrás, bem próximo de Sander para visualizar a imagem que já estava pronta. Era um desenho simples, todo em preto, apenas traçado, como se houvesse sido feito por canetinha, mas eram linhas bem traçadas; um sol que saia de trás de uma pequena nuvem negra.
—Todos vocês vão fazer o mesmo? —Eles confirmaram.
—A idéia terrível de que ainda há esperança, tatuado no lado esquerdo do ombro. Creio que quase sempre é preciso um golpe de loucura para se construir uma grande História
—Quer saber? Estou indo embora dessa porcaria de festa. São Valentino, que porcaria é essa?
—Gostaria que não fosse.
—Quer saber o que eu gostaria? —Me encarou.
—Diz.
—Eu gostaria de beijar na sua boca agora como beijei aquele dia na sua casa. —Voltou a me encarar. Eu nada disse. —Estou saindo daqui agora, gostaria que fosse comigo.
—Não posso. —Não poderia deixar Sarah, Júlia e Daniel ali sozinhos sem noticias.
—Estou saindo agora e estou indo sozinho, espero por você cinco minutos no carro, se não aparecer eu vou. —Assim saiu me deixando ali.
Pensei por algum momento, analisei tudo rapidamente e com as condições neurológicas que dispunha, coisa de um minuto. E pelo menos ali, senti que a coisa mais certa era seguir o impulso.
Logo estaremos próximos do momento em que os filósofos e os imbecis têm o mesmo destino.
—Irmãozinho, quando isso começou acontecer você era muito novo, tinha uns oito anos eu acho, e eu, pra ser sincero, não sabia direito o que acontecia, para mim, até certa idade, tudo aquilo parecia normal. O que me encabula é que mesmo com minha saída de casa e com a morte da nossa mãe, ele só foi tentar algo com você agora. Aquele velho desgraçado. Deveria ter socado a cara dele por nós dois.
—Sabe que jamais faria isso. Quantas vezes ele chegou em casa bêbado e começava me agredir por qualquer coisa, dizia que a casa não estava limpa o bastante. Que eu estava desperdiçando a porra do papel higiênico, dizia que depois que nossa mãe morreu eu havia me tornado um estranho dentro de casa e ameaçava jogar minhas coisas pela janela, no lote baldio que tem ao lado do prédio onde morávamos. Derramou café num livro que eu esperei muito tempo para comprar e disse que foi sem querer... Me oferecia cervejas dentro de casa. Ele passava os dias de folga assim dentro de casa, bebendo cervejas e urinando.
Hoje é o dia
E você não está sozinho
E você não está sozinho
Dias de Chuva
Um livro de Antonio Carlos Bernardes
Músicas de Dias de Chuva
Fique agora com o primeiro capítulo da parte III
NOVO: 56 "Renato"

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