Carol e Sander estavam se pegando atrás de uma árvore, num extremo da grande área reservada para veículos. Era um vestido curto o que ela usava, vermelho, de modo que dava para ele passar as mãos por baixo e amassar o bumbum da namorada como se fossem duas pequenas almofadas, lisas e macias. Beijavam, Carol era mais contida, avançava pouco, mas gostava das mãos de Sander onde elas estavam naquele momento.
—Não acha que poderíamos nos casar? —Disse ele.
—Você está maluco? Íamos viver de quê? —Falava e gemia ao mesmo tempo, assim, ao lado do ouvido dele, com ele passando a língua em torno sua orelha, a umidade e os movimentos da língua dele deixavam seus pelos arrepiados.
—Podemos viver da nossa música... Podemos viver de amor... Podemos viver com a ajuda de nossos pais...
Por um instante ela pensou se ele realmente estava falando sério. Foi então, que ele disse:
—Estou falando sério. —E olhou fixamente para ela. Carol parecia estar chocada. Acabava de ser pedida em casamento. Algo que nunca havia pensado até dez segundos atrás.
—Ah! Você não pode estar falando sério, Sander!
—Claro que estou, Carol... Estou falando para gente morar junto... Não é nada de igreja e vestido de noiva. Isso é cafona demais!
—Eu não sei... De qualquer forma estou muito nova para entrar numa igreja, ou para assinar papéis... Mas morar juntos não seria uma má idéia. —Agora ela estava já seduzida pela proposta, ele a puxou para perto de si, lhe abraçou. No fundo havia mesmo afeto de verdade ali, entre eles... Se não houvesse, atualmente, já estariam separados. —Estou pensando em cursar a Federal do Paraná. Por que não se inscreve?
—Curitiba?
—Eu adoro Curitiba!
—Precisaria me inscrever e viajar para prestar o vestibular... Naquela porcaria de colégio onde estou agora, temos que obedecer as regras gerais.
—Sempre quis estar fora de Goiânia, Sander. Deixar meus pais neuróticos se matarem longe de mim e viver coisas diferentes. Agora é a hora... Quero sair, passar cinco anos fora e depois ver o que faço da vida. Eu não sabia como falar com você sobre isso, mas agora que tocou no assunto, acho que queria que estivesse comigo o tempo em que eu não estiver aqui.
—Está certo. Eu topo. —Voltou a beijá-la. —Eu vou falar com meus pais! —A mãe de Sander teve um troço quando soube que ele pretendia sair da cidade. Deixá-los aqui.
—Seria melhor se nem meus pais, nem os seus, soubessem que estaremos juntos lá.
—Eles não precisam ficar sabendo! — Eles estavam felizes... Voltaram a se apertar, a se beijar, daquele modo como só os que estão apaixonados se beijam.
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Com a ajuda de Felipe, Vinicius carregou Augusto para o conversível, isso seguindo as orientações do proprietário do automóvel, que naquele momento não sabia muito bem o que dizer. Quando finalmente encontraram o carro, colocaram Augusto dentro dele e tirando as chaves do bolso do amigo, Vinicius disse que estava deixando a festa e que o levaria de volta para casa. Thais falou que iria junto, já era tarde e não deixaria que fosse sozinho. Após se despedir dos zumbis, Felipe e Fernanda, com um beijo no rosto, metera-se no banco ao lado de Elvis e partiram para o edifício de Augusto, do outro lado da cidade.
Já eram duas da manhã, ainda cedo para uma festa que prometia ver o amanhecer. Bruna e eu estávamos na sala de cinema, sentados nas poltronas, jogando papo fora, eu estava fumando um cigarro ali dentro e ela pediu um trago. Senti que o celular vibrava na cintura, preso na fantasia. Era Carol.
—Onde você se meteu?
—Estou na sala de cinema... No terceiro piso.
—Como conseguiu chegar aí?
—Pulando a janela...
—Vocês são loucos, os outros estão por aí também?
—Quem?
—Sei lá... Fernanda, Vinicius, a rainha das trevas...
—Não, só Bruna e eu.
—E como vai voltar para cá?
—Pelos dormitórios, pularemos o muro sem que ninguém veja e sairemos pela porta da frente.
—Sander e eu estávamos pensando em pegar um taxi. Já me cansei disso tudo, agora que aqueles idiotas desapareceram tudo está inda mais chato.
—Nós já estamos indo... Nos espere na entrada do alojamento. —desliguei.
—Era Carol?
—Está nos chamando para ir. Se importa?
—Não... Eu não estou me sentindo muito bem com essa fantasia.
—Eu também não. —Nos levantamos e partimos. Pular o muro não foi fácil, principalmente para ela, mas depois de uns arranhões deu tudo certo.
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Augusto já se encontrava deitado em sua cama, Thais, já sem a peruca de Elvira, estava sentada ao lado com semblante preocupado, Vinicius estava em pé, já não usava mais topete, o cabelo estava molhado.
—Será que ele vai ficar bem? —Perguntou à ela.
—Ele não está bem... Tem idéia do que foi que ele usou?
Vinicius mostrou-se desnorteado e sem resposta.
—Eu vou buscar um isotônico para ele lá na cozinha... Deve ajudar. Já ouvi dizer que nesses casos é bom tomar bastante liquido. —E então saiu.
Ela passou a palma da mão na testa do meu amigo, desceu-a até sua face. Achava Augusto bonito, sentiu que sua pele era macia e seu corpo parecia atraente. Só não era capaz de compreendê-lo. Ele abriu os olhos e nada disse, eles se olharam, ela retirou a mão do rosto dele e colocou mais embaixo, entre o umbigo e o peito, usava uma regata fina, branca. Ele se levantou num impulso e a beijou. Ele a beijou verdadeiramente como se sonhasse há meses com aquilo, e eu que cheguei a pensar que o veado do Augusto jamais fosse capaz de beijar uma mulher. O incrível é que ela retribuiu. A mão dela se movimentou sobre todo o tronco de Augusto, o corpo dele se projetou para frente e com um dos braços a envolveu, laçou-a pela nuca. Augusto aproveitou o corpo feminino para senti-lo, deslizou a outra mão sobre ele. Acariciando o seio direito da moça. Quando Vinicius retornou ao quarto, com a garrafa de Gatorade, parou como se a cena que visse fosse inconcebível, e como se aquilo fosse deixá-lo cego fechou os olhos por alguns segundos. Quando a coragem de volta as veias lhe fez abrir olhos novamente, Thais e Augusto já haviam parado de se tocar, mas o olhavam interrogativamente.
—Como é que você está? —Ele perguntou.
—Estou bem. —Disse Augusto. —Senta aqui.
Ele deixou o isotônico sobre o criado mudo e sentou-se no espaço que havia entre ela e ele. Thais pousou sua mão sobre a coxa do que chegava agora, Augusto ainda sentado, os dois se beijaram ali na frente dela, e enquanto o faziam ela tirava o vestido preto e ficava apenas de calcinha, preta e de renda. Augusto se sentiu atraído, Vinicius satisfazia todos seus desejos mais secretos, a junção das duas partes que queria, Thais estava ardente só de pensar em possuir os dois, tê-los juntos.
Vendo-a nua Vinicius se levantou, abraçou-a por trás, beijou sua nuca e acariciou aqueles seios tenros e duros como melões, Augusto viu tudo da cama. Ela se mexeu de modo muito sensual e sentou-se sobre as coxas de Augusto, beijaram-se na boca enquanto o outro por trás, roçando o pau duro nas costas do amigo lhe passava a língua por todo seu ombro, nuca, orelha, e ela gemia. Augusto lhe sugou um dos seios, Vinicius se afastou de modo que ela pudesse se deitar, então Augusto desceu seus lábios entorpecidos até o umbigo, parou ali algum instante e sentiu o cheiro doce de lugares ainda cobertos, puxou a calcinha dela e daí por diante tudo que é demonstrativo de carinho e respeito, entre três pessoas, se realizou e não entraria em detalhes até mesmo porque não os sei. Quando Augusto acordou no dia seguinte e viu os dois ainda deitados ao seu lado, ficou perturbado demais para encarar a situação. Levantou-se, vestiu-se, lavou o rosto e pegou sua carteira e o celular sobre o criado, as chaves do carro. Deixou Thais e Vinicius ali sozinhos e passou todo aquele dia fora.
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O taxi nos deixou no Centro e seguiu a rua quatro em direção a casa de Carol. Bruna usou sua chave para abrir o portão do prédio e subimos sabendo que Tereza não passaria a noite em casa, havia comentado algo sobre uma despedida de solteiro de uma colega de trabalho. Subimos os lances de escada, pois o bloco de apartamentos não possuía elevadores. Ainda estávamos felizes...
—Noite ótima!
—Tão boa assim? —Não havíamos feito nada demais.
—Claro... Parecia outra cidade...Outro mundo. Quantas pessoas diferentes! E aquele colégio?
—Você está deslumbrada!
—Nem tanto... Estou encantada!
Entramos, sentei-me no sofá.
—Estou doido para tirar essa roupa.
Ela se dirigiu à cozinha. As cabeças e seus apliques estavam ali, em cima da mesa. Havia cabelos de todas as cores, levantei-me e aproximei-me. Uma Chanel preta me chamou atenção, retirei-a do manequim, voltei-me em direção ao corredor. Havia um espelho de corpo inteiro parafusado na parede. Coloquei a peruca ainda vestido de superman, estranhei-me. Parecia um travesti. Soltei o fecho atrás da fantasia e me despi até a cintura. De repente ela apareceu, encarou-me seriamente, estava com o laço nas mãos.
—Ficou bem em você. —Puta merda! Olha o que ela diz!
—Você achou? —A noite estava silenciosa, ouvíamos apenas alguns carros que passavam no asfalto lá embaixo. Não havíamos ligado luzes, mas a lua cheia iluminava o interior do pequeno imóvel, que possuía amplas janelas. Ela foi até o quarto e voltou com algo na mão. Aproximou-se e abriu o batom, levou aquele bastão vermelho até meus lábios e me pintou como uma mulher. Eu permiti que o fizesse.
—Olhe no espelho. —Eu não me reconheci. Eu era um traveco. Idêntico. Ela me pegou pelos braços e beijou minha boca sugando meus lábios e metendo a língua dela lá dentro.
Depois do beijo, pegou o laço da mulher-maravilha e deu um nó em meu punho direito. Conduziu-me até sua cama e ordenou que eu me deitasse, eu obedeci, assim que o fiz, passou a corda por entre a madeira da cabeceira e me prendeu o punho esquerdo deixando-me imobilizado. Fiquei excitado. Então ela sai do quarto e me deixa lá, amarrado sobre a cama com a cara manchada de batom como uma puta barata que se oferece em botecos sujos. Demorou o que pareceu a eternidade, pensei o que estaria fazendo, aquele era um lado de Bruna que eu ainda não conhecia. Já pensava em uma forma de me soltar quando ela chegou nua e ficou ali, parada na porta.
—Pensando em se soltar?
—Você estava demorando... —Ela se aproximou, sentou-se sobre mim e puxou o resto da fantasia deixando-me só de cueca, pau duro. Chupou meu pé, eu gemi. Ninguém nunca tinha feito aquilo antes, enfiar meu pé todo dentro da boca, passava a língua entre os dedos, lambia toda a extensão da sola deles. Gostei. Novamente subiu, parecia uma cobra vindo em direção ao meu pescoço. Sugou minhas axilas, lambeu-as, cheirou-as, depois me deu um beijo sedento na boca que durou minutos a fio. Tirou minha peruca e a jogou no chão. Puxou meu cabelo, eu gritei. Então ela rebolou em cima do meu pau e gemeu alto, me deixou completamente maluco, de repente ela cuspiu dentro da minha boca, a saliva fria e espessa se misturou a minha e eu engoli.
—Tira minha cueca! —Eu disse em prantos. Ela me lascou um tapa na cara e mandou que eu me calasse.
—Eu tiro quando quiser.
Eu digo que aquilo nunca aconteceu comigo porque ela me deixou tão louco, tão cheio de tesão, me lambendo, fazendo todas aquelas maluquices, rebolando nua sobre mim, que só isso foi o suficiente para que eu gozasse ainda de cueca, enquanto gritava para ela não parar.
Dias estranhos, fico pensando como as coisas vão de mansinho acontecendo e quando percebemos tudo está diferente, você está em outros lugares, com outras pessoas, contando outras histórias e por mais que você saiba que ainda é você, a impressão que fica é a de que estamos vivendo a vida de um outro alguém.
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