domingo, 27 de novembro de 2011

84 - DEZEMBRO SERÁ CINZA

Trilha:   Death Cab for Cutie - brothers on a hotel bed      (e)     Explosions in The Sky - six days at the botton of the ocean






                                                                                Os intervalos no Campus sem Caio, sem Júlia, Sander e Augusto não eram mais os mesmos, Vinicius, Fernanda e Felipe haviam se afastado. Sentia-me ainda mais só, e cada dia era um pouco pior. Resultado do meu jeito esquisito de ser, de querer me relacionar apenas com aqueles de quem realmente gosto e admiro de alguma forma, não sou do tipo de cara que alimenta relações artificiais por interesse ou por qualquer outra porcaria que seja. Nunca fui aquele garoto que dá sorrisos para todo mundo, nunca fui também o engraçado, aquele que conquista todos com uma boa piada ou comentários, que só ele sabe, vão agradar seus ouvintes. Sempre fui do tipo que falo o que penso, que se afasta por medo, que deixa estampado no peito o que sinto, porque simplesmente não consigo, como quase todos que conheço, ser falso, ser hipócrita, ser do tipo de gente, que pessoas como eu detestamos. Por isso estava cada vez mais só. E por estarmos sós, sentados ali em um dos bancos daquele pátio, pensávamos em Caio, falávamos nele o tempo todo... Ás vezes eu ficava pensando em como estaria naquele momento, ou Carol repetia alguma coisa que ele já havia dito, quase sempre pensava em momentos divertidos... E então vinha a imagem do fogo... Do fogo queimando tudo, devorando aquela casa, por um minuto pensei que fosse morrer ali daquela maneira, queimado. E quando lembro que deixei Ricardo ser consumido pelas chamas, me sinto ainda mais só, como se dentro de mim não houvesse nada, apenas um oco, um vazio existencial.
—O que será que o balofo está fazendo uma hora dessa?... —Disse ela com a cara triste. Mascava um chiclete, seu hálito era doce.
       Durante aqueles minutos de intervalo, comentou sobre os planos de morar os próximos cinco anos em Curitiba, ao lado de Sander. Perguntou em quais universidades havia me inscrito. O prazo estava encerrado, minha última chance de entrar na Universidade esse ano, deixaria de existir na tarde daquele mesmo dia. Eu simplesmente decidi não me inscrever... Com isso eu perdia aquela oportunidade única de estudar em qualquer lugar que eu desejasse, mas quem de nós já não deixou grandes oportunidades passarem simplesmente porque estava desesperado e não sabia o que fazer?
—Não me inscrevi em nenhuma. —Ela ficou espantada e depois me deu um curto sermão sobre o que eu achava que estava fazendo ou o que pensava que poderia acontecer...
—Eu não sei o que fazer... Estou pensando em procurar o meu irmão.
—E vai preferir lavar banheiros em Denver do que ser um bom profissional aqui?
—Bons profissionais aqui, ganham como lavadores de banheiro em Denver.
—Estudou esses anos todos nessa merda para desistir de tudo no final?
—Não se trata disso Carol... —Sendo ela mesma, disse que sentiria saudade, mas deixou claro que um irmão é uma peça muito importante na vida de alguém que já não tem outros da família. Eu realmente decidi procurá-lo e não acredito que Fernando recusaria me ajudar, a me ver outra vez.
     Quando deixamos o banco e descemos em direção a biblioteca, ouvi a voz de Vinicius gritando meu nome, voltei-me e ele veio ao nosso encontro.
—Poderia falar com você um instante? Não vai demorar muito, Carol... —Ela consentiu.
—Vou esperá-lo daquele outro lado. 
—Diz o que é, cara. —Não estava com muita paciência para ele não.
—Eu preciso da sua ajuda...
—Com o quê?
—Augusto está muito mal, Renato. Estou ficando muito preocupado... Tem comprado umas pedras de um cara que entrega a domicilio e tem feito isso o dia inteiro... Ele não está estudando, o que quer dizer que não vai concluir o ensino médio esse ano. Ontem estive com ele e nossa!  está com uma aparência horrível, a fisionomia dele, o jeito dele falar... Não deve estar comendo ou tomando banho há dias. Ele emagreceu uns dez quilos e não parece mais o mesmo. Nem a barba tem feito.
     Pensei por um momento na problemática de toda situação, no cara sozinho e viciado naquela merda que vinha fumando, o pai preso em um algum lugar da cidade alheio a tudo que acontecia; ele havia aberto as portas para mim quando precisei e mesmo tendo ficado ofendido levei todas aquelas ofensas como um reflexo da dependência e do abuso do crack que vinha consumindo.
     Ao percorrer a corrente sangüínea, o crack primeiro deixa o usuário se sentindo energizado, mais alerta e mais sensível aos estímulos da visão, da audição e do tato. O ritmo cardíaco aumenta, as pupilas se dilatam e a pressão sangüínea e a temperatura sobem. O usuário pode começar, então, a sentir-se inquieto, ansioso ou irritado. Se o crack for inalado com álcool, as duas substâncias podem se combinar no fígado e produzir uma substância química chamada cocaetileno. Essa substância tóxica e potencialmente fatal produz um barato mais intenso que o crack sozinho, mas também aumenta ainda mais o ritmo cardíaco e a pressão arterial, levando a resultados letais. Augusto precisava de ajuda.
—Eu não sei o que fazer... Por isso estou pedindo sua ajuda.
—Trabalho, Vinicius... Vamos ter muito trabalho, meu velho. Até mesmo porque ele não vai querer a gente por perto. Está pronto para enfrentar o que vem por ai?
—É só você dizer como e quando.
—Aguarde meu telefonema essa tarde. —Dei-lhe dois tapinhas no ombro e fui ao encontro de Carol.
     Eu precisava ajudar Augusto ou caso contrário ele acabaria se matando. Naquela manhã mencionei por cima o que estava acontecendo, disse à Carol que deixaria a casa de Bruna e voltaria para a casa de Augusto, ficaria por lá o tempo que fosse preciso.


     Voltando para casa no transporte escolar, dava para ver minha cidade enquanto passávamos pelo trecho urbano da BR153. Dava para ver os prédios da zona sul ao longe, os bairros residenciais, as fábricas que ladeavam a rodovia, praças verdes e limpas, os viadutos... Se tudo desse certo, se realmente chegasse a partir, para encontrar meu irmão, sentiria saudades de todas aquelas ruas, sentiria saudade dos que deixaria entre esses prédios e sentiria saudades de mim mesmo, do Renato que eu era quando aqui vivia. Desse céu aberto que hora é azul como um mar, sem fim, e outras como agora, é cinza, só cinza. Hoje não choveu, também não vi o sol...
      César havia marcado de me pegar na casa de Carol, passaríamos no apartamento de Bruna para pegar minhas coisas e me deixaria no prédio em que morava. O cara andava sumido, disse qualquer coisa sobre uma viagem que pretendia fazer em alguns dias, disse que seria rápido e logo estaria de volta. Não dei muita importância. Antes do almoço dona Lena subiu até o quarto e perguntou se eu gostava de camarões, nunca curti frutos do mar, mas camarão ainda dava para engolir. Não quis ser rude e apenas disse que sim, que gostava. Então ela desceu dizendo que mandaria nos avisar quando estivesse tudo pronto. Almoçam mais tarde por lá, talvez fosse pelo horário que Carol chegava do colégio.
    Quando César chegou Carol já havia me convencido que antes de me trancar na casa de Augusto precisávamos sair para espairecer, foi o que ela disse, parece que Sander estava contando com uma boa grana que estava prestes a entrar, coisas ligadas às suas transações ilegais. Com isso havia nos proposto uma tarde de diversão, e por mais que eu tivesse meus problemas com o cara, Sander sempre soube nos divertir. Achei que fosse o que eu precisava, relaxar um pouco e esquecer de tudo. Quando liguei para César e falei do que se tratava, ele não se opôs, César adorava uma farra. Porque toda farra que se preza tem cerveja, e mulher bonita também.
      O combinado foi encontrar Sander às cinco horas no Buena Vista, então partiriamos para casa de um de seus amigos, na verdade acho que era uma casa de lazer nos arredores da cidade. Eu sabia dos meus compromissos com Vinicius, estava ciente da barra que teria de enfrentar. Iria passar por aquilo, já havia decidido, mas antes eu queria um descanso. Ver pessoas diferentes, conhecer uma casa maneira, fumar um pouco, tomar uma cerveja, estar com os amigos... Pelo menos para mim era isso, era o que os meus amigos faziam. O fato é que já eram quase cinco horas e nada do cara aparecer, Carol tentou ligar várias vezes, mas o numero caia na caixa postal.
—Que droga, outra vez na caixa postal... Não sei o que está acontecendo, Renato. Será que... aconteceu alguma coisa? —Parecia preocupada, a jogada que Sander estava armando realmente era uma coisa grande, havia ligação com vários outros sujeitos, moradores de condomínios de luxo, gente que tem grana.
—Não sei, Carol. Não acha melhor ligar para casa dele? —Sugeri.
—Vocês estavam dizendo que esse Sander estava de esquema com drogas? —Perguntou César.
—Na verdade sim. —Respondi. —Desde que o conhecemos, ficamos sabendo que ele se metia numa dessas, mas isso não nos afastou, hoje ele é namorado da Carol. Só que parece que anda a cada dia que passa, metido em coisas maiores. —Falei o que pensava e apesar do olhar, Carol não me censurou.
—Entendo. —Disse César. Na verdade eu entendi que ele não prolongou o assunto somente pelo fato de Carol estar na mesa.
—Na casa dele só dá ocupado. Isso é muito estranho, você não acha?
—Eu não sei... O que você quer fazer? Quer esperar?
—Não. —Disse se levantando. —César será que poderíamos ir até à casa dele? Não fica muito longe daqui.
—Claro.
    César estacionou um pouco antes do edifício, mas de onde estávamos já era possível ver as duas viaturas na porta.
—Ai meu Deus! Sujou, eu tenho certeza... Olha os filhos-da-puta lá na porta! —Não a via daquela forma desde o incidente com Caio na fazenda do Augusto.
—Calma... —Até tentei tranqüilizá-la. —Talvez não tenha nada a ver com o Sander.
—Duvido muito. —Disse abrindo a porta do carro.
—Aonde você vai?
—Saber de alguma, estou vendo o porteiro lá na calçada... Vou ver o que aconteceu.
—Eu vou com você. Eu vou lá com lá com ela. —Disse ao César.
—Beleza, eu espero vocês.
    Dando alguns passos largos, nos aproximamos rapidamente, na porta havia um policial na viatura e o porteiro do prédio na calçada. O policial falava alguma coisa no rádio do carro. Pela distancia, não era possível escutar.
—Seja mais natural, se não vamos chamar a atenção.
—O porteiro me conhece, Renato. Sabe quem eu sou.
    Ele não pareceu muito feliz ao vê-la. Observei um ar de tristeza.
—Olá! —Carol tentou ser amistosa. —O Sander está em casa.
—A senhora não está sabendo? O Sander foi preso, tudo aconteceu agora a tarde, eu não sei direito os motivos, mas a policia chegou aqui com mandato para fazer busca no apartamento.
—Meu Deus.... —Parecia querer chorar.
—Controla Carol. —Fui obrigado dizer. Abracei-a.
—A mãe dele deve estar desesperada....
—Imagino que sim. —Comentou o porteiro. —Disse para não deixar ninguém subir.
—Ah... Entendo! Nós vamos indo então. Até mais! 
    César e eu tentamos tranquilizar Carol, ele inclusive mencionou que Sander estaria livre em alguns dias, que seus pais pagariam fiança e que o sistema judiciário brasileiro é froxo e pouco faria. Mesmo Sander já sendo maior de idade. Depois de deixá-la em casa, seguimos em direção ao centro da cidade. Precisava ver Bruna para pegar minhas mochilas e ligar para Vinicius. César me aguardava lá em baixo.
—Obrigado viu, por me deixar ficar esses dias... você me ajudou muito, mas agora preciso ajudar meu amigo. —Disse ao pé da porta.
—Eu entendo... vai ser uma barra.
—Eu sei.
—Vê se não some!
—Pode deixar. —Depois de um abraço desci as escadas. Entrei no carro do cara, ele me deixou na esquina do prédio onde vinha morando, o mesmo prédio de Augusto. Vinicius estava lá.
—Não vou poder passar a noite aqui, depois do que aconteceu minha mãe está com o comportamento muito estranho. Cara, acho que ela está pirando! —Desabafou, preferi não comentar.
—Tudo bem, mas nesse inicio preciso de você. Preciso de você quando ficar claro para ele o que viemos fazer.
     Subimos sem que fossemos anunciados, eu ainda carregava a chave da porta e decidimos abri-la sem bater. A sala estava deserta, havia copos sujos no balcão do bar e garrafas fora do lugar, uma desordem acanhada parecia estar presente em todos os cantos. Subimos as escadas alcançando o corredor e fomos direto ao quarto dele, estava fechado, mas o cheiro ali era concentrado e denunciava o que de fato ocorria lá dentro. Vinicius com sua mão torceu a maçaneta e escancarou a porta.
     Ele estava lá, sentado na cama com um cachimbo na mão e o isqueiro na outra. Estava fisicamente esgotado e tombado pelos efeitos daquilo que queimava, era o sobrevivente de uma peste bubônica em seu estado mais infeccioso. Realmente seu rosto estava fundo, sugado, olheiras, olhos que eu evitava ver, o cabelo estava maior, a barba também, as roupas eram mais largas, caiam. Quanto tempo ele estava usando aquilo? Não sabíamos, mas o certo era que ele havia passado semanas assim, consumindo aquilo vinte e quatro horas por dia, sem dormir, sem comer, sem cuidar de sua higiene... Simplesmente se matando aos poucos.
—O que vocês estão fazendo aqui? —levantou-se de supetão, abandonando o cachimbo ali do lado. Sobre o criado estava uma caixa rasa de tamanho médio cheia de drogas. Cocaína, maconha, haxixe, pedras de crack... Ele me viu de olho no seu tesouro. Em tudo que naquele momento ele mais amava. Algumas pessoas não possuem estrutura para provar, conhecer ou passar por tudo, por isso Deus age certo ao distribuir inteligência, nível e capacidade diferentes entre nós mundanos. Mas o fato é que para certas coisas como o crack, não há ninguém forte o bastante.
—O que você tem feito? —Eu estava meio que indignado.
—Eu estava curtindo um pouco. Vocês estão afim?
    Eu o encarei irritado e avancei sobre a caixa de porcarias que estava bem ali. Ele percebeu minha atitude e veio logo tentando tirá-la de minhas mãos. Pediu que eu a entregasse, mas o afastei e passei a caixa para Vinicius, falei para que a levasse dali porque Augusto e eu teríamos uma conversa séria naqueles próximos minutos. É incrível ver o estado em que ficam esses sujeitos que se deixam levar pela degradação, só o fato de imaginar não estar ao lado de mais uma pedra, de todas aquelas pedras que havia ali, já lhe provocou tal desespero que começou a choramingar. Andava apreensivo e parecia estar se irritando.
—Você vai me devolver aquela caixa agora! —Ordenou gritando. —Tá pensando que está fazendo o quê?
—Não vou não. E estou aqui para lhe dizer que você passará mal um bocado, mas que estamos fazendo isso porque nos preocupamos com você. Em partes até me sinto culpado... —Ele se desesperou. Tentou passar por mim. Eu o empurrei.
—O que você pensa que está fazendo?
—Augusto, confia em mim cara. Eu vou te ajudar. —Logo após tentou outra vez passar por mim, agora com mais força, quase como um búfalo tentaria. Dei-lhe outro empurrão e gritei por Vinicius. Logo ele apareceu, pegou Augusto me atacando como um animal selvagem, ficou sem reação, pedi à ele para que trancasse a porta da sacada e retirasse a chave, eu controlava nosso amigo para manter-lhe ali dentro.
—O cachimbo. —Eu lembrei. Vinicius o pegou e se dirigiu em direção a porta.
—Você vai ficar aqui um tempo, depois nos falamos. Passa a chave do quarto para o lado de fora, Vinicius. —Augusto clamou e nos xingou de vagabundos e filhos-da-puta.
—Nós somos mesmo, uns filhos-da-puta que vão salvar sua vida. Agora tente ficar tranqüilo, vai doer, mas vai passar. Concentre-se nisso. —Então o soltei e rapidamente passei pela porta que foi fechada e trancada, ele avançou sobre a maçaneta sacudindo-a e gritando ao mesmo tempo, chamando nossos nomes, chorando, implorando para que o tirássemos de lá, ou pelo menos passássemos mais uma dose por debaixo da porta.
    Estávamos apreensivos, Vinicius bem mais que eu.
—Vai poder ficar quanto tempo aqui? —Perguntei.
—Mais algumas horas, minha tia está em casa.. —Augusto estava gritando palavrões e socando a porta com as mãos cerradas, aplicando-lhe chutes.
—Não precisa se preocupar, Cara. Vai ficar ainda pior.
—Já viu alguém assim antes?
—Na verdade não, mas conheço muitas histórias... Precisamos ver algo para comer, fazer um suquinho para nosso amigo estressado.
—Vamos ligar para o restaurante ali na esquina e pedir para entregar, a grana que tenho é suficiente.
     Enquanto esperávamos o pedido, para abafar os gritos do andar superior, ligamos a tevê. A tevê distrai, cria um ambiente amigável quando as pessoas não têm nada a dizer. Passava o jornal local e Juliana Texeira apresentava a matéria.
     “A Operação Lisergia deflagrada na tarde desta sexta (28/11) prendeu seis jovens de classe média alta, que traficavam ecstasy, cocaína e maconha em Goiás. Em seis meses de investigação, a Coordenação de Repressão às Drogas da Polícia Civil conseguiu desmontar a quadrilha liderada por Rômulo do Nascimento Saliba Valente, 32 anos, conhecido como Saliba, que se intitulava o barão do ecstasy em Brasília.Outras cinco pessoas, entre elas uma mulher, estão na carceragem da Delegacia de Polícia Especializada prestando depoimentos. De acordo com o delegado-chefe, Luiz Alexandre Gratão, Rômulo Saliba foi encontrado em um hotel de luxo em Taguatinga, Filipe Ribeiro de Camargo, conhecido como gordinho, de 21 anos, Ana Carolina Oliveira santana, 19 anos, e Gutierry Johney Oliveira Matos, 22 anos, foram presos em suas casas no Jardim Europa. Sander Beaumont, 19 anos, estava realizando uma entrega no Alphaville e Tales Guimarães Paiva, 30 anos, em sua casa no Sudoeste.
        Vinicius me encarou, eu fingi não saber de nada. Enquanto isso, Augusto chutava a porta do seu quarto e ameaçava se matar. 




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